quarta-feira, 11 de junho de 2008


O vestido
Adélia Prado



No armário do meu quarto
escondo de tempo e traça
meu vestido estampado em fundo preto.
É de seda macia desenhada em campânulas vermelhas
à ponta de longas hastes delicadas.
Eu o quis com paixão e o vesti como um rito,
meu vestido de amante.
Ficou meu cheiro nele, meu sonho, meu corpo ido.
É só tocá-lo, volatiza-se a memória guardada:
eu estou no cinema e deixo que segurem minha mão.
De tempo e traça meu vestido me guarda.

sábado, 7 de junho de 2008

TEIXEIRA DE MANAUS É O QUE HÁ...


Sim senhor, ele é referência da música instrumental amazonense. Hoje, mais de duas décadas depois de subir ao palco pela primeira vez, "Teixeira de Manaus" pode olhar para trás e ter a alegria desta conquista. A importância de seu legado jamais poderá ser contestada.
Felizmente, sua obra está disponível em coletânea lançada em sua homenagem. A caixa com dois CDs, intitulada "Homenagem ao Artista", vem com tiragem inicial de cinco mil cópias.e está disponível na loja Disco Laser.
Teixeira de Manaus foi um dos maiores vendedores de discos na década de 80" e aquele refrão: “Parárará, Teixeira de Manaus! Parárará, Teixeira de Manaus...” grudava na cabeça da gente. Nos domingos, depois do almoço só dava ele! O som alto nem incomodava a vizinhança: “.. Abra a sua porta, deixa o meu sax entrar!..”
Na música “Boi Voador” (Mauricio Pardo e Denílson Novo)do grupo “Os Tucumanus”, o nome de Teixeira é exaltado, com as honras de Boi luz de guerra.
Teixeira de Manaus é um dos patrimônios da música do Norte. Aos poucos se recupera de um período difícil que comprometeu em muito sua saúde. Aos 63 anos não sabe se poderá voltar aos palcos, mas não importa; quem foi rei nunca perde a majestade.

PARA SE GARANTIR A EDUCAÇÃO ETNO RACIAL

Começa nesta segunda-feira (9), o curso de formação continuada de professores da rede estadual do Amazonas sob a temática da Cultura Indígena e Afro-Brasileira. A iniciativa é da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) por meio do Núcleo de Cultura Política (NCPAM) do Departamento de Ciências Sociais, contando com o patrocínio da Petrobras, Ministério da Cultura, Fundação de Apoio a Universidade Federal de São João Del-Rei, Minas Gerais, mais o apoio da Secretaria de Educação do Estado (SEDUC) e o Sebrae Amazonas.O projeto de formação continuada foi selecionado nacionalmente pelos patrocinadores através de Edital Público, beneficiando diretamente os professores do ensino fundamental e médio da rede pública do interior do Estado.Para o coordenador, professor e antropólogo da UFAM, Ademir Ramos, a iniciativa é original em cumprimento a Lei 11.645, de 10 de março passado, promulgada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, exigindo que se inclua no currículo da rede de ensino a temática história e cultura dos povos indígenas e afro-brasileiros.Na segunda-feira próxima, às 14 h, o curso inicia com uma mesa redonda, discutindo e apreciando os paramentos da Educação etno-racial, tendo por referência as Diretrizes do Conselho Nacional de Educação.Para a mesa redonda, segundo os organizadores do curso, foram convidados os representantes da Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira, do Movimento Negro e o Procurador-Chefe do Ministério Público Federal no Amazonas, assim como os veículos de comunicação do Estado.Indagado sobre a metodologia adotada, o professor Ademir Ramos explica, que “o curso será gerado em Manaus, no Centro de Mídias da SEDUC, entendimento este, acordado diretamente com o senhor secretário de Educação do Estado, bem como todo trabalho tem se dado em parceria com a gerência do ensino fundamental da Seduc, buscando dessa feita, interiorizar cada vez mais a temática nas escolas pública do Estado”.O projeto, afirma o professor, é pioneiro no Brasil, merecendo atenção dos educadores para essas práticas pedagógicas, devendo ser discutido amplamente pelos professores, alunos e servidores, com propósito de se consolidar um novo projeto político pedagógico nas escolas, que combata o preconceito, a descriminação, o racismo e toda e qualquer forma de intolerância.As aulas estão centradas, explica o coordenador do projeto, sob as seguintes temáticas – Brasil Indígena, Brasil Africano, Cultura Indígena e Afro-Brasileira e Oficinas pedagógicas. Para esse fim, os pesquisadores do NCPAM e os técnicos da Seduc trabalharam por mais de quatro meses na pesquisa e editoração das aulas, em forma de cartela, vídeo e outras formas de linguagens.O NCPAM está convicto que qualquer atitude contrária às práticas afirmativas da educação etno-racial deva ser rechaçada publicamente e se recorra imediatamente ao Ministério Público Federal, para salvaguardar a Lei 11.645/2008 e garantir ações de políticas afirmativas em favor dos povos indígenas e dos afro-brasileiros.Não fique fora dessa luta, participe manifestando suas considerações ou enviando suas mensagens aos professores em formação, que se encontram, sobretudo, em suas comunidades no interior do Estado.

Texto: ncpam.com

terça-feira, 3 de junho de 2008


Ele se define como um cabra tímido, caseiro e reservado, sem “malquerença” nenhuma. É poeta de todo o Brasil. Das escolas, hospitais, praças, grandes teatros... de todo lugar. Tem o estilo”Quiriniano”Jessier Quirino é paraibano de Campina Grande e autor dos livros: “Paisagem de Interior” (poesia), “Agruras da Lata D`água” (poesia), “O Chapéu Mau e o Lobinho Vermelho” (infantil), “Prosa Morena” ( poesia e acompanha um pires de CD ), “Política de Pé de Muro - O Comitê do Povão” ( legendas e imagens gargalhativas sobre folclore político popular ), CDs: “Paisagem de Interior 1 e Paisagem de Interior 2”, o livro: “Bandeira Nordestina” (poesia e acompanha CD), A Folha de Boldo Notícias de Cachaceiros - em parceria com Joselito Nunes – todos editados pelas Edições Bagaço do Recife - além de causos, músicas, cordéis e outros escritos. Em seu trabalho vem fazendo uma etnografia poética dodos hábitos e linguagem do agreste e do sertão nordestinos, disse o ensaísta e poeta Alberto Cunha Melo.Em seus shows Jessier mostra uma variedade bem humorada que vai desde a poesia matuta, até causos, cocos, cantorias e piadas. O danado é “domador de palavras”


Para saber mais sobre Jessier acesse: jessierquirino.com.br.

LITERATURA

Quando se trata de literatura, rapidez na produção não é sinônimo de qualidade. Seguindo esta linha de raciocínio, surgiu o Prêmio Jabuti, em alusão ao vagaroso animal, símbolo de paciência. Na cerimônia marcada para dia 31 de outubro, o evento terá um brilho extra: a comemoração de cinco décadas de existência.Concedido pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Jabuti consolidou-se como o mais importante do gênero. Que o digam autores vencedores da estatueta, como o romancista amazonense Milton Hatoum. "Na verdade, quem ganha não somos nós, mas os próprios livros. O autor agradece e tenta corresponder às expectativas dos leitores", afirma ele, que, num mesmo ano (2006), abocanhou dois Jabuti, por "Cinzas do Norte", nas categorias Melhor Romance e Livro do Ano.Um dos diferencias da premiação é o espaço não somente aos autores, mas aos que participam do processo de criação. Ao todo, 20 categorias são definidas por jurados, cujos nomes permanecem em segredo até a noite da premiação. "De certa forma, é uma alternativa para preencher a lacuna de que, no País, há poucos prêmios aos criadores", justifica José Luiz Goldfarb, que atua como curador do Jabuti desde 1990.SurpresasConforme antecipa José Luiz, a última noite de outubro, na Sala São Paulo, na capital paulista, será marcada por surpresas e nostalgia. "Convidaremos pessoas que já ganharam para a entrega dos prêmios. A proposta é fazer uma mistura do que é o Jabuti hoje e do que foi no passado", declara.Quanto às apostas para a edição de 2008, como as inscrições não foram encerradas (a organização prorrogou-as até 30 de maio), o curador diz que é cedo para citar nomes ou obras. "Hoje, as próprias editoras fazem um processo de pré-seleção, facilitando ainda mais nosso trabalho. Tudo isso em função da credibilidade que o Jabuti conquistou ao longo de 50 anos", comemora José Luiz. Para citar alguns profissionais que fizeram história no Prêmio Jabuti, Caco Barcellos (2004, por "Abusado", categoria Jornalismo); Chico Buarque (2004, por "Budapeste", categoria Livro do Ano) e Jorge Amado (1959, "Gabriela, Cravo e Canela", Romance).

Texto: Divulgação.

DE QUEM É A AMAZÔNIA???


Esta pergunta foi título de uma reportagem do jornal americano “The New York Times” de alguns dias atrás. A matéria diz que líderes internacionais estão declarando abertamente que a Amazônia não é um patrimônio exclusivo de nenhum país e cita também as palavras do ex-presidente americano Al Gore que disse que, nós brasileiros, estamos errados em achar que a Amazônia nos pertence, na verdade é de todos.Resta saber de que forma o governo brasileiro vai responder a essa questão.Especialmente neste momento em que sai do cargo de ministra uma representante que fala a mesma língua de alguns ativistas ambientais e entra em cena um homem que defende as políticas para uma Amazônia sustentável, o que é claro, não é ruim, dentro das devidas proporções. São duas bandeiras: a demanda por recursos energéticos que cresce diante da luta para conter as mudanças climáticas decorrentes dessas tecnologias.Políticas para restringir o acesso de estrangeiros e até brasileiros ao território amazônico estão em pauta, são as famosas licenças que já causaram tanto desconforto ao ministério.A bem da verdade, já sabemos que os estrangeiros têm tido livre acesso ao nosso espaço há muito tempo.Portanto, o que se chama “soberania nacional” não tem funcionado muito bem por aqui.Os ícones da fauna e flora amazônica estão espalhados pelo mundo e deixaram de ser nossos e muitas partes do território da região Norte já são de propriedade de outros com o velho discurso: estamos apenas garantindo a preservação.Quem está enganando quem?


“Don´t worry, be happy”.

O MUSEU DO HOMEM E O MURO DAS LAMENTAÇÕES




A Prefeitura de Manaus estará entregando à população o Museu do Homem, maior e mais moderno que o antigo, com 4 mil peças no acervo, mostrando o homem da região sem focar excessivamente no índio ou no caboclo. No novo Museu do Homem o visitante poderá ter uma visão integral do amazônida, de como ele vive, se alimenta, se locomove, que tipos de produtos extrai da floresta, sua relação com os rios e a natureza e participação no mundo moderno. Uma casa de farinha em tamanho real e um tapiri, de defumação de borracha, que é uma pequena cabana coberta de palha, como as antigas casinhas de taipa, muito comuns no nordeste, onde as pessoas podem interagir, são algumas das atrações. Trata-se de um novo modelo de Museu projetado para estimular o visitante a se interessar pela história do povo do lugar. A Fundação Joaquim Nabuco, foi quem cedeu todo o material para a Prefeitura, por meio de um contrato de comodato. O novo Museu do Homem conta ainda com uma belíssima biblioteca totalmente informatizada e uma loja de souvenirs (lembrancinhas) onde serão vendidos artesanatos, livros e CDS de autores regionais. Muito bem! Apesar de tanta modernidade, tantos cuidados, os administradores continuam errando por um motivo apenas, o fato de serem apenas administradores. Nestes equipamentos estratégicos de cultura é preciso que se tenham agentes culturais, que pensem e usem a arte e a cultura como instrumento de transformação e no mínimo, de reflexão social. No mundo moderno até os cemitérios mudaram suas fachadas - Manaus foi pioneira nisso -, ficaram menos ‘carregadas’, pesadas, estão dotados de lanchonetes e até pequenos auditórios para 20 e até 60 pessoas, isto ameniza o sofrimento daqueles que velam seus mortos porque o espaço tem um objetivo comum; Aproximar as pessoas com as mesmas necessidades. A história de um povo não deve ser contada somente para estrangeiros mas para o próprio povo e deve ser repetida muitas vezes, assim o povo percebe sua identidade e suas referencias. Para mim, todo museu deveria ter um aspecto mínimo de uma Casa Popular de Cultura, com todos seus ingredientes básicos e não apenas ser o museu, aquela coisa silenciosa. O novo Museu do Homem vai ficar uma beleza! Não tenho dúvidas disso mas, para atrair o visitante do estado ele terá que falar, vai precisar propor para poder incluir e nesse processo é necessário o conteúdo além da bela fachada. Como eu disse os secretários de cultura são quase sempre secretários, muitas vezes cercados por conselhos de cultura fajutos, sem representação das diversas áreas do setor artístico e cultural. Tais conselhos não fomentam a descentralização, o empreendedorismo, o escoamento da produção, a crítica especializada, etc, etc, ficam apenas nas conversas fiadas repetindo os mesmos erros e emperrando tudo, abrindo espaços para organizações picaretas que se estabelecem no vácuo da desorganização do setor que não propõe nada, pela ausência também de grupos de resistência como os da guerrilha cultural. Chegam com seus cabides de empregos tirando do pouco que a burocracia oficial destina para viabilização de alguns projetos culturais de artistas locais, muitas vezes grandes artistas anônimos. As secretarias de cultura deste Brasilzão precisam pensar e discutir cultura de modo geral e não somente a arquitetura. Uma grande ação cultural pode perpetuar o nome de um secretário (quase todos querem ficar para a história) e nem sempre um grande prédio consegue fazer. Parabéns à cidade de Manaus pelo seu novo Museu, mas é pouco, muito pouco diante da dimensão geográfica e da importância histórica deste povo e dos seus artistas que ainda não perceberam que a Cultura é responsável pela movimentação de bilhões de dólares em todo o mundo. E viva a Ópera Baré.




Nilson Sótero - Agente Cultural de João Pessoa(nilsonsotero2@hotmail.com)